Paulo Brustolin

Mestre em Administração & Estratégia Empresarial

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Redução de custos hospitalares não ocorre com iniciativas isoladas

admin - 18/04/2019

Em uma busca cada vez mais intensa para reduzir os custos com tratamentos, as operadoras de saúde têm buscado mudar a forma de remuneração dos prestadores de serviços. De acordo com Mestre em Administração e Estratégia Empresarial, Paulo Brustolin, a medida, de forma isolada, tem pouca ou nenhuma eficácia no valor desembolsado pelas empresas e há o risco de um impacto negativo para o paciente.

Brustolin, que por vários anos atuou em cargos de direção na Saúde Suplementar, explica que, normalmente, os pagamentos são feitos por serviço, o chamado fee-for-service. “Quando se fala em corte de custos, a primeira coisa que se faz é migrar para o pagamento por pacote, ou bundled payment”.

Entre as premissas desta modalidade de pagamentos, que é calculado por episódio, da internação até 90 dias após a alta, estão alguns pontos que, em tese, reduziriam os custos por paciente. “O pagamento é ajustado com base em um grupo de indicadores. Há incentivos para quem gasta menos e também para quem gera menos problemas ao paciente”, ressalta Paulo Brustolin.

Contra esta premissa, dois estudos recentes mostraram que os resultados, diante da alta expectativa gerada, foram decepcionantes. O mais recente levantamento foi divulgado pelo The New England Journal of Medicine (NEJM), com base no Mediacare, um dos sistemas de seguros de saúde dos Estados Unidos. A conclusão do estudo é que houve uma redução de 3%.

O desanimador, salienta Paulo Brustolin, é que esta redução não parece ter ocorrido no custo intra-hospitalar. “O estudo aponta que houve uma queda, aparentemente, no uso de hospitais de transição. Outra questão importante é que não houve queda na qualidade, mas por outro lado não houve melhora. Ou seja, incentivo financeiro não representa sucesso quando se busca melhorar a qualidade do cuidado oferecido”.

Um estudo semelhante, realizado pela Universidade de Michigan, chegou a resultados bem próximos do apresentado no NEJM. “Eles analisaram três condições diferentes e apenas em uma delas houve uma queda, pequena, por sinal, de mortalidade”, pontua Paulo Brustolin, que enxerga no resultado um claro sinal de que a forma como se remunera o hospital não está diretamente ligado à melhora no atendimento.

Por fim, há o receio de que o modelo de pagamento faça com que os hospitais, de olho em remunerações melhores, acabem a deixar de lado procedimentos em pacientes que apresentam quadro de saúde mais grave. “Certo é que ainda não foi encontrada uma fórmula mágica que baixe os custos dos hospitais. É fundamental que haja uma combinação de vários fatores, e não apenas um isolado, para se resolver esta equação sem nenhuma perda ao paciente”, finaliza Paulo Brustolin.

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